21/05/2020 17:50

Doenças respiratórias se agravam com quedas de temperatura

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No inverno, os riscos de transmissão do coronavírus podem aumentar de maneira significativa. Foto: Raquel Fernandes

Faltando praticamente um mês para o início do inverno, os moradores de Amambai já começaram a sentir as quedas de temperatura e os riscos das doenças respiratórias. Em tempos de pandemia este alerta ainda é maior. A equipe de reportagem do Jornal A gazeta buscou informações com profissionais da saúde para entender por que precisamos redobrar os cuidados com as quedas de temperatura.

Neto Junior Lemes Matchil faz parte do Corpo Clínico da Casa de Saúde Divina Providência. Foto: Arquivo pessoal

De acordo com o médico de Amambai, Neto Junior Lemes Matchil, no inverno brasileiro é possível observar um aumento no índice de doenças respiratórias em até três vezes, principalmente devido às quedas bruscas de temperaturas e a diminuição do índice pluviométrico. “A baixa incidência de chuvas colabora para o aumento de queimadas e incêndios florestais, deixando o ar poluído e com pior qualidade, além de diminuir o índice de umidade relativa do ar, aumentado o risco de infecções das vias aéreas superiores principalmente por infecções virais e bacterianas, tais como gripes, resfriados, sinusites, pneumonias, além de doenças alérgicas como rinites e asma”.

A amambaiense Katiuce Duarte Corrêa sofre com os sintomas da rinite (dores de cabeça, coceiras e nariz entupido) e por isso sempre procura se prevenir e estar preparada para a chegada do inverno. "Eu não uso cobertores ou casacos guardados por muito tempo. Sempre procuro lavar antes do inverno", conta Katiuce.

No frio, o corpo humano trabalha mais para se manter em uma temperatura adequada. “As quedas de temperatura fazem com que o organismo gaste mais energia e trabalhe mais para manter-se aquecido, pois o corpo humano precisa manter sua temperatura em uma média entre 35 e 36°C. Esse esforço maior do organismo em manter a temperatura corporal acarreta em uma queda fisiológica da imunidade, deixando o organismo mais susceptível a infecções respiratórias”, explica.

Profissionais da saúde alertam para que todos cumpram à risca as recomendações da OMS e que, além do uso das máscaras, se atentem à higienização dos objetos pessoais. Foto: Arquivo pessoal

Prevenção

O médico lista algumas medidas de prevenção durante o inverno: “aumentar ingestão de líquidos, manter-se bem agasalhado, utilizar umidificadores de ar sempre que possível, diminuir a exposição ao ar condicionado, evitar ao máximo permanecer em ambientes fechados (preferir lugares arejados), evitar aglomerações em um mesmo ambiente”.

Coronavírus

Na mira de especialistas e cientistas de todo o mundo, o Coronavírus ainda traz muitas dúvidas e questionamentos. Conforme informações repassadas pelo Dr. Neto, não é possível afirmar se o calor ou frio interferem no tempo de sobrevivência do vírus, pois ele pode sofrer mutações para se adaptar a um meio ambiente. No entanto, com as quedas de temperaturas, a transmissão pode apresentar altas significativas.

“Acredito que no inverno a velocidade de transmissão pode aumentar, devido a um conjunto de fatores, tais como: diminuição da umidade relativa do ar, predileção da população por ambientes fechados e menos arejados, além da queda relativa da imunidade, devido à necessidade de manter-se a temperatura corporal”, destaca.

Em Amambai, recentemente, tornou-se obrigatório o uso de máscaras nas ruas e estabelecimentos públicos e privados, como forma de combater a disseminação do vírus no município, que já apresenta quatro casos confirmados da doença (dados do boletim epidemiológico do MS do dia 17 de maio).

Profissionais da saúde alertam para que todos cumpram à risca as recomendações da Organização Mundial da Saúde e que, além do uso das máscaras, se atentem à higienização dos objetos pessoais, ao distanciamento entre as pessoas, evitem ao máximo sair de suas residências e combatam as aglomerações.

O médico Neto Matchil ressalta que tanto pessoas assintomáticas quanto sintomáticas podem transmitir o vírus por até 14 dias. “A principal diferença é que o risco de transmissão é maior nos pacientes sintomáticos, devido à presença de secreção nas vias aéreas superiores”

Segundo dados da OMS, o vírus pode permanecer vivo por até 72 horas em plástico e aço inoxidável, menos de 4 horas em cobre e menos de 24 horas em papelão. “Acredita-se que ele pode permanecer em uma roupa, calçados e celulares por até 72 horas. Por isso a importância de, ao chegar em casa, deixar os sapatos para fora, deixar a roupa em um cesto separado e fazer higienização de aparelhos de uso pessoal sempre que possível com produtos adequados”, recomenda o Dr. Neto.

Fonte: Raquel Fernandes/ Grupo A Gazeta