26/03/2020 13:52

Covid-19: Como lidar com o emocional durante a crise

"Nesse momento devemos acreditar que tudo isso é temporário e que nos tornaremos seres humanos melhores”, orienta a psicóloga Cleonice Barbosa.

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O novo coronavírus (Covid-19) virou a principal manchete em noticiários pelo mundo, ganhando maior destaque no Brasil depois que o primeiro caso da doença surgiu, em São Paulo. Mas uma questão importante tem sido pouco abordada: como lidar com o emocional diante de todas as adversidades causadas pela pandemia?

No caso do Covid-19, a preocupação com a saúde de amigos e familiares, principalmente de idosos, o trabalho e andamento do empreendimento, contas para pagar e até mesmo os avisos do toque de recolher podem pesar no emocional de qualquer pessoa.

Uma jovem, de 30 anos, moradora de Amambai, que não quis se identificar, conta que o emocional foi bastante abalado nestas últimas semanas. "As incertezas e preocupações geram uma angústia muito grande, ainda mais fora da rotina habitual de trabalho. Fico constantemente me policiando para não comer muito, não dormir fora do horário de costume. Faço acompanhamento com psicóloga há algum tempo e isso não mudou, pois o atendimento passou a ser online. Também aproveitei o tempo livre para adquirir o hábito da meditação e pretendo continuar mesmo quando tudo isso passar, espero que seja em breve", afirma.

A psicóloga Cleonice Barbosa orienta que atividades terapêuticas são as melhores opções para regular os níveis de ansiedade. Foto: Reprodução/Facebook

A equipe de reportagem do Jornal A Gazeta conversou com a psicóloga Cleonice Barbosa, que realiza atendimentos em Amambai e Coronel Sapucaia. Ela orienta que “temos que olhar a ansiedade não como algo ruim e sim como algo que vai nos fazer refletir e a cumprir as medidas de segurança para evitar o contágio” e enfatiza que “tudo o que é novo causa medo e ansiedade”.

Primeiro é necessário entender o que causa a ansiedade. Depois de compreender o motivo, se torna mais fácil “focar em pensamentos que acalmam e em atividades terapêuticas”, afirma a psicóloga. Ler livros, fazer crochê, consumir entretenimento e brincar com as crianças são ótimas opções para distrair a mente.

Exercícios físicos também contribuem. “Andar sozinho ou acompanhado, de bicicleta, mantendo distância e sempre evitando aglomeração”, afirma, ressaltando que qualquer atividade física é válida desde que problemas de saúde não causem empecilhos.

Reeducar a respiração é outro exercício eficaz. O corpo inconscientemente aumenta o ritmo respiratório durante crises, portanto “respirar profunda e lentamente pelo nariz e soltar pela boca” diminui os batimentos cardíacos e causa a sensação de leveza no peito. É necessário se concentrar, o que também ajuda a tirar o foco das preocupações.

O controle da ansiedade é ainda mais relevante para pessoas diagnosticadas com depressão, pois, de acordo com a psicóloga, é uma doença que pode diminuir a imunidade do corpo e torná-lo mais suscetível a contrair infecções, bactérias e viroses.

“A ansiedade pode ser controlada com exercícios físicos e pensamentos positivos. Nesse momento devemos acreditar que tudo isso é temporário e que nos tornaremos seres humanos melhores”, finaliza Cleonice Barbosa.

Outro depoimento, captado pela redação do Jornal A Gazeta, mostra o exemplo de uma pessoa que encontrou uma forma de não enlouquecer em meio a tantas notícias preocupantes. "Ao ver tanta gente acreditando em fake news, compartilhando informações perigosas diante desse cenário, limitei meu acesso às redes sociais e evito até mesmo as notícias da televisão. Busco me informar apenas uma vez ao dia em uma ou duas fontes confiáveis. Quem sofre de ansiedade sabe que o acúmulo de estresse pode desencadear uma crise, por isso estou fazendo de tudo para manter minha saúde física e mental", conta um jovem de 36 anos, que não quis se identificar.

Boas notícias

Aproveitando para incentivar a positividade: mais de 120 mil pessoas que contraíram o novo coronavírus já foram curadas no mundo, até a publicação desta reportagem. A informação é com base no monitoramento em tempo real realizado pela universidade americana Johns Hopkins, que pode ser acessado clicando aqui.

Em meio ao bombardeio de notícias que causam angústias, é importante dar atenção a notícias como esta, que renovam as esperanças.

Aplicativos auxiliam o usuário com exercícios de diversas técnicas. Foto: Pixabay

A tecnologia ajuda

Aplicativos para smartphones incentivam a prática de métodos que podem ser feitos todos os dias e em poucos minutos. Eles contribuem para diminuir os níveis de ansiedade e estresse através de diferentes técnicas de meditação, músicas e sons relaxantes, reflexões, textos inspiradores e frases divertidas.

Gratuitos e disponíveis para os sistemas Android e/ou iOS, você pode experimentar apps como o 5’ Minutos - Eu Medito, Daily Yoga, Lojong, Medite.se, Meditopia, Querida Ansiedade e Sattva.

Ansiedade

Por mais que seja considerada uma emoção normal e surja em diversas situações do dia a dia, sendo inclusive benéfica para nossa segurança e comportamento social, a ansiedade pode se tornar um problema quando aparecem sentimentos excessivos e constantes, tais como tensão, medo, agitação, catastrofização da realidade e descontrole sobre os pensamentos. Em casos mais graves pode causar ataques de pânico.

A condição também tem consequências para o corpo. Batimentos cardíacos acelerados, dor e aperto no peito, mãos e pés frios, sudorese e tremores estão entre os sintomas físicos.

Fonte: Marlon Antunes e Raquel Fernandes/ A Gazetanews