02/12/2019 13:56

2,5 anos após ação criminosa, marginais tentam assaltar novo carro-forte em Amambai

Assalto frustrado aconteceu a cerca de um quilômetro do assalto ocorrido em junho de 2017. Marginais espalharam terror, mas fugiram sem levar nada.

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Vilson Nascimento

Dois anos e seis meses após um assalto cinematográfico, quando ladrões explodiram um carro-forte em um “ponto cego”, ou seja, de comunicação difícil e sem cobertura de sinal de celular da Rodovia MS-156, trecho que liga Amambai a Caarapó, e fugiram levando dinheiro e armas dos seguranças, uma cena semelhante foi registrada na manhã dessa segunda-feira, 2 de dezembro, mas desta vez a ação criminosa foi mal sucedida.

Alvejado por diversos disparos, o carro-forte teve pneus estourados. Os marginais usaram explosivos para tentar, sem sucesso, estourar a porta e ter acesso ao interior do veículo de transporte de valores. (Fotos: Vilson Nascimento)

A tentativa de assalto aconteceu no mesmo trecho da rodovia estadual e, a exemplo de 2017, espalhou terror para quem passava pelo trecho de rodovia e movimentou forças policiais de toda a região.

Ouvidos pela reportagem o grupo A Gazeta e por policiais ainda no local dos fatos, agentes de segurança que estavam abordo do carro-forte, pertencente à mesma empresa do assalto de 2,5 anos atrás, disseram que se deslocavam pela rodovia estadual no sentido Caarapó a Amambai quando foram ultrapassados por um Jeep Renegade, cor branca, placas de Florianópolis, estado de Santa Catarina.

Segundo os seguranças, repentinamente o Jeep começou a frear, fator que deixou os ocupantes do blindado em alerta, justamente por estar no mesmo ponto do assalto de anos atrás.

Nesse instante os marginais começaram a abrir fogo, segundo os seguranças, com disparos de fuzil e possivelmente de metralhadora calibre Ponto 50 contra a frente do carro-forte, vindo a atingir a região do motor e dos pneus.

Um dos disparos atingiu o para-brisa dianteiro, lado do carona do carro-forte, mas o projétil não atravessou o vidro à prova de balas.

O Jeep Renegade usado pela quadrinha foi incendiado pelos marginais após o assalto frustrado. O carro tinha uma chapa de aço na parte traseira, onde teriam sido afixados os canos das metralhadoras para alvejar o carro-forte. 

Sob fogo cerrado, o motorista do carro-forte conseguiu efetuar uma manobra e mesmo com os pneus estourados, conseguiu tirar o blindado da pista, após descerem um barranco às margens da rodovia.

Segundo os agentes de segurança, quando o blindado parou eles conseguiram sair do carro-forte e fugiram correndo a pé em meio a uma pastagem, mas antes o motorista conseguiu bater a porta do veículo, que exceto com o emprego da chave, só pode ser aberta por dentro.

Segundo os agentes de segurança, enquanto eles fugiam, os marginais gritavam para que retornassem e quando viram que não seriam obedecidos, chegaram a atirar contra os seguranças, porém não acertaram.

Nenhum os seguranças do carro-forte sofreu ferimentos de maior gravidade. Apenas um apresentava um pequeno ferimento no rosto, possivelmente decorrente de alguma pancada devido as manobras do veículo de transporte de valores.

Ao contrário do assalto de 2017, que os marginais conseguiram render os agentes de segurança e tiveram acesso ao interior do carro para instalar os explosivos, explodindo o cofre e com ele todo o veículo, dessa vez, trancados para fora, os indivíduos instalaram explosivos e tentaram, sem sucesso, explodir a porta lateral do carro-forte.

Como não conseguiram romper a blindagem, segundo a polícia, preocupados em relação ao grande fluxo de veículos trafegando pelo local, os assaltantes desistiram do assalto.

>> Relembre AQUI o assalto ocorrido em 2017

Segundo a polícia, os indivíduos, de cinco a oito homens, todos fortemente armados, inclusive com fuzis, abordaram e renderam um caminhoneiro que passava pelo local e fugiram no caminhão levando o motorista como refém, mas antes atearam fogo no Jeep Renegade, que na parte traseira, trazia uma chapa de aço, com furos em forma de triângulos, local por onde os criminosos teriam colocado o cano das metralhadoras para atirar contra o carro-forte e ao mesmo tempo se proteger de um possível revide de fogo por parte dos seguranças.

Essa estratégia foi a mesma utilizada pelos assaltantes em junho de 2017, quando fizeram o emprego de uma placa de aço, mas naquela oportunidade em um Renault Duster, que também acabou abandonado e incendiado pelos criminosos a alguns quilômetros do local do assalto possivelmente com o objetivo de destruir digitais que poderiam levar a polícia técnica a identificar os membros do bando.

Segundo a Polícia Civil de Amambai, que atua no caso, os criminosos se deslocaram com o caminhão pela rodovia estadual por cerca de 4 quilômetros, quando vieram a abordar um Citroën C-4 Pallas, de cor preta, pertencente a uma pessoa moradora em Amambai, que seguia em direção a Dourados para visitar parentes.

Sob ameaça, o condutor do C-4 Pallas e uma pessoa que estava do lado do carona teriam sido obrigados a descer do carro, que foi ocupado pelos marginais para continuar a fuga. Ao tomarem o C-4 Pallas em assalto, além dos ocupantes do veículo, os marginais teriam deixado o caminhão e o motorista, que havia sido feito de refém no local do assalto frustrado. Durante a fuga os marginais também teriam tomado um caminhão em assalto.

Uma caminhonete Mitsubishi Triton, cor prata, que também suspeita-se, estar dando apoio a ação criminosa, foi apreendida pela Polícia Militar de Amambai. Ela foi abandonada momentos após o assalto frustrado, na mesma MS-156, quanto o motorista, um homem, que ao se deparar com forças policiais, teria fugido a pé em direção a uma região de mata lindeira a terra indígena Amambai.

Quando a reportagem do A Gazeta começou a acompanhar o caso, minutos após a ocorrência do assalto frustrado, a região onde ocorreu a ação criminosa ainda corria risco de registro de confrontos entre a polícia e os assaltantes.

No local do ataque a Polícia Civil recolheu várias capsulas deflagradas, a maior parte de munição calibre 5.56. 

Por medida de segurança, equipes da 3ª Companhia Independente de Polícia Militar (3ª CIPM) com sede em Amambai e do 2º Grupamento de Polícia Militar Ambiental, montaram barreira em frente a sede do GPMA, na MS-156, saída para Caarapó, e interromperam temporariamente o tráfego na rodovia até que a situação de risco cessasse.

Além da Polícia Militar e da Polícia Militar Ambiental de Amambai, equipes da Polícia Civil de Amambai, coordenadas pela delegada adjunta, Dra. Larissa Serpa e da Delegacia Regional de Polícia Civil de Ponta Porã, coordenada pelo delegado adjunto Dr. Mikaill Alessandro Gouveia Faria, estiveram no local do assalto realizando do trabalho técnico pertinente e recolheram diversos cartuchos deflagrados, alguns de munição calibre 7,62 usada em fuzis como o FAL (Fuzil Automático Leve), de uso do Exército Brasileiro e o fuzil russo, AK-47, mas a maior parte de munição calibre 5.56, empregada normalmente em fuzis M-16, de uso do exército norte-americano ou na versão civil dessa mesma arma, o fuzil AR-15.

O cerco policial aos criminosos também contou com equipes da Força Nacional de Segurança, do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar de MS e da Força Tática da Polícia Militar da cidade de Dourados, entre outros órgãos de segurança pública.

O Corpo de Bombeiros de Amambai também foi acionado para conter o fogo proveniente do Renegade queimado, que se espalhou às margens da rodovia estadual.

A polícia ainda não tem pista concreta sobre os marginais. A última informação é que o C-4 Pallas roubado teria furado uma barreira policial na região de Aral Moreira, fronteira com o Paraguai.

Matéria atualizada às 15h54 para acréscimo de informação.

Por medida de segurança as polícias, Militar e Militar Ambiental interromperam o tráfego na MS-156 entre Amambai e Caarapó, durante o período que ainda havia risco de confronto entre a polícia e os assaltantes em fuga. 

Fonte: A Gazetanews