16/04/2021 07:30

China anuncia crescimento recorde no primeiro trimestre

Economia avançou 18,3% na comparação anual, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. Resultado se deve principalmente à base de comparação com o início de 2020, quando o país ficou paralisado pelo coronavírus.

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A China anunciou nesta sexta-feira (16) um crescimento econômico recorde no primeiro trimestre, de 18,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, em grande parte devido à base de comparação reduzida em relação ao começo de 2020, quando a pandemia paralisou a atividade.

"Em geral, a recuperação prosseguiu no primeiro trimestre", afirmou a porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas.

O nível registrado é um recorde desde o início da publicação dos resultados trimestrais do PIB da China, em 1992.

O PIB chinês no primeiro trimestre de 2020 havia caído 6,8%, o pior resultado econômico em 44 anos. No 4º trimestre do ano passado, cresceu a uma taxa de 6,5%.

Em 2020, o país foi um dos poucos que registrou crescimento econômico, com alta de 2,3% no PIB.

Recuperada do impacto da pandemia, a China projeta um crescimento de pelo menos 6% este ano (dado mais modesto que as previsões dos economistas). O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um aumento de 8,4% do PIB da segunda maior economia mundial.

'Recuperação desigual'

O bom resultado se deve principalmente à base de comparação com o início de 2020, quando a economia chinesas estava paralisada pelo vírus, admitiu a porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, Liu Aihua.

O resultado oficial do PIB da China provoca muito interesse pelo peso do país na economia global.

"As exportações foram o principal motor do crescimento no primeiro trimestre", em particular de produtos eletrônicos (para o teletrabalho) e de equipamentos médicos aos Estados Unidos e à União Europeia, explicou à AFP o economista Rajiv Biswas, do IHS Markit.

Em março, as exportações chinesas permaneceram sólidas (+30,6% em ritmo anual), quando grande parte do mundo ainda estava muito afetado pela pandemia.

"Mas a recuperação continua sendo desigual, com o consumo das famílias em queda devido ao desemprego", destacou recentemente o analista Qu Hongbin, do banco HSBC.

As vendas no varejo, principal indicador do consumo, subiram 34,2% em ritmo anual em março, contra 33,8% de janeiro-fevereiro (único dado disponível).

Mas alguns setores encontram dificuldades para retomar o nível pré-pandemia, como o transporte aéreo e ferroviário, que alcançam 60% no máximo de suas capacidades.

"A recuperação total do consumo das famílias depende da campanha de vacinação e de uma melhora do mercado de trabalho", afirmou o analista da Oxford Economics Louis Kuijs.

A taxa de desemprego, calculada apenas para as zonas urbanas, foi de 5,3% em março, depois de atingir o máximo histórico de 6,2% em fevereiro de 2020 devido à pandemia.

Mas o quadro está incompleto: o desemprego não leva em consideração os quase 300 milhões de trabalhadores de origem rural, que foram muito afetados no ano passado pela epidemia.

A produção industrial chinesa progrediu em março 14,1% em ritmo anual, contra 35,1% de janeiro e fevereiro em conjunto (único dado disponível).

Os investimentos em capital fixo registraram crescimento de 25,6% desde o início do ano e até março.

 

Fonte: G 1