10/08/2019 11:24

A Paternidade cria novos sentidos na vida de um homem

Publicação do Suplemento Especial de Dia dos Pais, veiculado no dia 9 de agosto no Jornal Impresso A Gazeta.

Imagem: Bruno Farias

Um misto de felicidade e preocupações. É assim que pais costumam descrever o que sentem no momento da descoberta do primeiro filho. A vida de um homem ganha novos sentidos e passa a ser guiado por um amor que o fortalece diante de qualquer dificuldade.  O pai Jorge Henrique da Silva entende bem destes sentimentos e nos concedeu uma entrevista especial sobre a paternidade. Jorge é casado com Beatriz Miranda Borges Silva. Eles residem na Missão Caiuá/Aldeia Taquapery, onde Jorge é Pastor. Confira a entrevista:

Quantos filhos você tem?

Jorge: Sou pai de dois filhos, um casal: o Angelo, que vai fazer 6 anos e a Maria Antônia, que está para fazer dois meses.

O que você sentiu quando soube que ia ser pai? 

Jorge: Um misto de emoções! Nossos filhos foram muito desejados. Em relação ao primeiro, nossos planos eram que engravidássemos no quinto ano de casados. A gravidez veio no quarto.(..)Foi uma alegria indescritível! Mal conseguíamos parar de rir e foi difícil dormir. Por um breve tempo fiquei preocupado pensando em minhas responsabilidades que surgiriam, mas as preocupações não foram capazes de apagar o sentimento de alegria! No dia seguinte fizemos o ultrassom. Foi emocionante ouvir o coraçãozinho de nosso bebê. 

A segunda gestação foi muito semelhante. Entre um e outro perdemos um bebê no início da gestação. Ficamos um tempo de luto pensando que o Angelo seria nosso único filho. Mas logo começamos a sonhar e a orar novamente. Planejávamos cuidar da saúde para engravidar no ano seguinte. Mas, mais uma vez, o presente veio antes do esperado! Choramos muito de alegria e de gratidão sonhando com nosso novo milagre. Ficamos muito felizes quando descobrimos que seria uma menina: estava acontecendo do jeito que sonhávamos.

Você acompanhou os dois partos?

Jorge: Sim. É uma sensação única poder presenciar o milagre da vida! No parto do primeiro filho havia um impasse entre o obstetra e o pediatra se eu deveria assistir ao parto porque minha esposa estava com uma gravidez de risco.(..)Foi cesárea, então foi muito rápido. Mas foi emocionante ouvir o primeiro choro do bebê, tentar identificar sinais de nascença e até com quem mais parecia, mesmo sendo tão pequeno! No parto de Maria Antônia não houve dificuldade para entrar e pude ficar o tempo todo com minha esposa e a bebê. Era difícil saber para quem dar atenção! Rs.

Como foi pegar o seu filho no colo, pela primeira vez?

Jorge: Pegar meus filhos no colo pela primeira vez, nos dois casos foi ter a sensação de estar vivenciando um milagre! Dois dias antes de o Angelo nascer, a pressão de minha esposa à noite foi a 20/15. Estávamos a 120 km de nossa cidade e a minha esposa estava num quadro de pré-eclâmpsia! Saímos de casa na expectativa de nos tornarmos uma família com três pessoas, e agora eu corria o risco de perder os dois. Graças a Deus esse prognóstico não se concretizou e pudemos viver o nosso milagre.

No nascimento de Maria Antônia o sentimento foi parecido não por termos vivido a mesma experiência. Graças a Deus, toda essa gestação foi muito tranquila. Mas a tristeza por ter perdido um bebê antes dela e a incerteza se teríamos um segundo filho transformaram o nascimento dela em nosso segundo milagre vivido.

Foto: Bruno Farias

O que mudou na sua vida?

Jorge: A paternidade mudou muita coisa em mim, tanto pessoalmente como no relacionamento conjugal com a sociedade em si: pessoalmente, me fez ficar mais maduro. Eu digo que o casamento me amadureceu uns 10 anos e a paternidade 20! É a sensação de que alguém depende de você fisicamente e emocionalmente, e você tem de estar pronto para supri-lo. Na vida conjugal, minha esposa e eu falamos que o casamento nos uniu e a paternidade nos colou ainda mais, desde a gestação. Nossos filhos são o fruto do nosso amor. E na sociedade o que mudou foi a consciência de que minhas ações afetam diretamente a vida de meus filhos, logo, é preciso agir com mais prudência e responsabilidade.

Como é sua rotina de pai?

Jorge: Como pai, eu procuro participar ativamente de tudo na vida de meus filhos e dividir com minha esposa os cuidados com eles e com o lar. A sociedade, em geral, cobra muito da mãe o cuidado com os filhos e a casa. Mas casamento e paternidade são parcerias. Eu sempre sonhei em ser esposo e pai. Então, pela manhã, eu cuido das tarefas e banho do Angelo, enquanto minha esposa cuida da casa e agora da bebê. Graças a Deus, meu trabalho me permite isso. Depois do almoço eu levo o Angelo para a escola e vou fazer as visitas e trabalhos que minha função exige. No fim da tarde busco o Angelo na escola e reveso no banho da bebê com minha esposa. À noite é hora de tentar administrar a energia do filho que não quer parar de brincar, com a necessidade de descansar, assistir TV, usar a internet e os cuidados com a bebê. Depois, minha esposa e eu revezamos na hora de colocar o Ângelo para dormir e acordar para cuidar da bebê durante a madrugada! Rs.

Para finalizar, tente descrever a sensação de ser pai?

Jorge: Para mim, ser pai é fazer parte de um projeto divino. Na Bíblia está escrito em Gênesis 1:28 que depois que criou o homem e a mulher, "Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a". Por isso ser pai é uma bênção tão especial. Também é ter a consciência de ter uma missão muito importante a desempenhar. Noutro lugar, a Bíblia fala que "herança do Senhor são os filhos" (Salmos 127:3). Ou seja, nossos filhos são, na verdade, do Senhor. É nosso papel criá-los nessa convicção de que eles pertencem ao Senhor e devem honrá-lo tanto num relacionamento direto com Ele, como também honrando aos homens criados à sua imagem e semelhança (Gênesis 1:27).

Fonte: Raquel Fernandes / Grupo A Gazeta