19/10/2021 17:25

Dólar tem maior cotação desde abril com tensão sobre financiamento do Auxílio Brasil

Nesta terça-feira (19), a moeda norte-americana avançou 1,36%, a R$ 5,5944. Reação do mercado ao pagamento do programa fez o governo adiar o anúncio no fim da tarde.

Is allowance instantly strangers applauded

O dólar fechou em alta de 1,36%, cotado a R$ 5,5944, nesta terça-feira (19), pressionado pelas preocupações com as contas públicasm após informações de que o governo anunciaria o novo Auxílio Brasil de R$ 400. A reação do mercado, no entanto, fez o governo adiar o anúncio no fim da tarde.

Esse foi o valor maior de fechamento desde 16 de abril, quando o dólar fechou cotado a R$ 5,6241. Na máxima do dia, o dólar foi a R$ 5,6131.

Já o dólar turismo foi negociado a R$ 5,8066.

Com o resultado desta terça-feira (19), a moeda norte-americana acumula alta de 2,73% no mês e de 7,85% no ano. Veja mais cotações.

O Banco Central realizou um leilão de venda de até US$ 500 milhões de dólares à vista nesta manhã, em mais uma ação para tentar segurar a alta da moeda.

A Bovespa, por sua vez, recuou 3,28%, a 110.672 pontos.

O dólar tem se mantido acima de R$ 5,50 nas últimas sessões, em meio a riscos que vão da escalada da inflação global às incertezas fiscais e políticas domésticas.

O BC realizou, então, leilão de venda de dólares à vista pela primeira vez desde 15 de março, e após várias intervenções no mercado de câmbio desde a semana passada, incluindo realização diária de leilões extraordinários de swap cambial tradicional (operação que equivale à uma venda de moeda no mercado futuro) nas últimas quatro sessões.

Cenário

No exterior, o dólar recuava frente a outras moedas, com um início robusto para a temporada de balanços corporativos nos EUA e esperanças de que a China seja capaz de conter a crise em seu mercado imobiliário.

Na cena doméstica, as atenções seguiam voltadas para as preocupações com a inflação persistente e com as discussões em torno das fontes de financiamento do novo programa social do governo federal, o Auxílio Brasil.

Investidores temem que as discussões sobre a 'versão turbinada do Bolsa Família' resultem no rompimento do teto de gastos, tido como âncora fiscal do Brasil, o que golpearia um já fragilizado cenário para as contas públicas no país.

Na segunda-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), sinalizou a discussão de um programa social fora do teto de gastos públicos.

Lira defendeu que, diante dos impactos sociais provocados no Brasil pela pandemia de Covid-19, não se pode priorizar a responsabilidade fiscal e o respeito ao teto de gastos em detrimento das necessidades da população mais vulnerável.

"O prêmio de risco tem que aumentar mesmo. O mercado está entendendo essas medidas como populismo fiscal, de cunho eleitoreiro", disse Sérgio Goldenstein, chefe da área de estratégia da Renascença.

"Além disso, você está desmoralizando o teto de gastos. Por que o governo a ser eleito em 2022 precisará respeitar o teto de gastos se o de agora não respeita?", questionou, avaliando ser muito difícil reduzir posteriormente valores do auxílio – atualmente, o debate está em torno de um aumento temporário do novo Bolsa Família.

O noticiário sobre a PEC dos precatórios, que pode ser votada em comissão especial da Câmara ainda nesta terça, também atraía atenção de operadores. A PEC é uma contrapartida para a criação do Auxílio Brasil.

A estimativa do mercado financeiro para a inflação deste subiu para 8,69%. Já a previsão para o PIB voltou a cair, para 5,01%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

 

Fonte: G 1