09/04/2020 09:09

Queda no movimento do comércio preocupa empresários de Amambai

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Foto: Vilson Nascimento

A Associação Comercial e Empresarial de Amambai estima que o comércio teve queda de 40% no movimento nos últimos 15 dias, conforme informações repassadas na segunda-feira, dia 6. O contexto preocupa diversos empreendedores, que já tiveram que reorganizar a forma de atendimento e até fazer demissões.

No dia 23 de março, a Prefeitura de Amambai decretou o fechamento de todos os comércios como uma medida de prevenção e combate à disseminação do coronavírus (Covid-19). Apenas os serviços essenciais permaneceram em funcionamento (mercado e farmácias), mas foram obrigados a adotar medidas que limitaram o atendimento a fim de evitar aglomerações, além de manter os cuidados de higienização. No dia 27 de março, a Prefeitura flexibilizou o decreto, liberando todas as empresas a reabrirem, porém com diversas restrições que visam a segurança da população.

O Grupo A Gazeta conversou com alguns proprietários (as) de lojas de roupas, calçados e móveis que estão apreensivos, pois, mesmo com a reabertura, o movimento está muito baixo. Alguns empresários estimam uma queda entre 30% a 40%, como é o caso do proprietário de uma loja de móveis da cidade, Azor de Assis.

“Após a reabertura, o movimento bom que deu na loja foi na parte do recebimento. Também coincidiu com o início do mês, em que as pessoas estão recebendo e pagando as suas contas. A queda maior foi realmente nas vendas, que caiu em torno de 30 a 40%”, explica o empresário.

As lojas de materiais de construção, também registram quedas de 15 a 20%, conforme análise de alguns empreendedores do ramo.

As conveniências, que tinham bastante movimento no período noturno, tiveram atendimento reduzido pelo toque de recolher, que determinou recentemente que até às 18 horas, bares, lanchonetes e conveniências estejam fechadas.

O empresário Divino, que trabalha com a venda de bebidas, disse que o movimento de sua empresa foi bastante prejudicado, pois comenta que o fluxo maior de pessoas era no período noturno. “Se o prefeito prorrogasse o horário até às 22 horas, ajudaria bastante”, comenta o empresário, acrescentando que já teve que demitir funcionários.

Ana Paula, empresária do ramo de suplementos alimentares e consultoria para treinamentos físicos também sentiu os efeitos, mas tem garantido o funcionamento normal de seu empreendimento. “Vejo esse momento de incertezas diminuindo o fluxo de clientes. Até o momento estou controlando as compras com os fornecedores para não enfraquecer meu capital de giro e diminuindo o horário de atendimento na loja. Vejo que a preocupação com a imunidade e com a saúde física ainda está em alta e eu acabo disponibilizando produtos que ajudam nesse cuidado, o que contribuiu para que eu não sinta tanto a queda nas vendas”.

De acordo com análise de economistas, o movimento tende a cair independentemente dos decretos municipais, devido a alta disseminação do coronavírus em todo o mundo. O economista de Ponta Porã, Thiago Gastaldello, explica esta análise.

“Diante de incertezas, os seres humanos tendem a tomar atitudes mais conservadoras. (...) Mesmo que o prefeito autorizou a abertura das lojas, a maior parte das pessoas vai optar por se preservar e atrasar o consumo de bens não-essenciais (loja de móvel, comércio de roupas, sapatos, etc). Os amambaienses (e brasileiros em geral) têm dois bons motivos pra isso: o primeiro é que ir ao comércio comprar produtos não essenciais amplia o risco de contrair Covid-19 (e transmitir a doença aos familiares). (...). O segundo motivo é justamente a incerteza econômica. Com as pessoas temendo pelo próximo salário, a tendência é de que os recursos financeiros disponíveis sejam utilizados nos bens mais essenciais. Então, esses dois motivos (medo de se infectar e incerteza quanto à renda futura) vão contribuir pra que o comércio, mesmo aberto, tenha poucas vendas”.

Impactos econômicos

Questionado sobre os possíveis impactos econômicos e a queda do Produto Interno Bruto do município, o economista afirma que não há como prever com precisão.

“Quanto à previsão de queda pro PIB municipal, é um exercício de futurologia que eu não me arriscaria a fazer. Isso porque estamos no início de abril e é difícil estimar como o PIB variará até dezembro, ainda que seja certo que o cenário é de recessão. Apenas pra exemplificar no nível nacional: O Governo estimava um crescimento de 2,2% do PIB pra 2020, agora está falando em crescimento de 0,02% (o que é nulo), enquanto alguns analistas da FGV estão apontando uma retração de 4,4% do PIB.”

Ainda conforme análise do economista, os impactos da crise devem ser sentidos de forma distinta nos diferentes setores de Amambai.Os dados mais recentes do IBGE indicam que geração de valor em Amambai é composta pelo setor de serviços, que respondem por 66% do produto, seguido pela agroindústria que contribui com 25% do total e, finalmente, pela indústria que responde por 10% do produto. Uma vez que os serviços respondem proporcionalmente mais pela geração de emprego, a situação é preocupante, pois a economia do município é muito dependente desse setor. Por outro lado, o setor de serviços pode ser dividido em serviços prestados pelo Estado versus serviços prestados pela iniciativa privada. No caso de Amambai, os serviços públicos (educação, saúde, seguridade social) respondem por 40% da geração de valor do total de serviços prestados no município”, explica, destacando que a alta participação do Estado no setor de serviço aliada com a alta participação da agroindústria na economia é benéfica para o município.

“Como o estado tem mais "fôlego" do que a iniciativa privada, a alta participação do estado no setor de serviços é um ponto positivo para o município nesse momento. A alta participação da agroindústria também é um ponto positivo: apesar de contribuir pouco para a geração de empregos diretos, ela é responsável por inúmeros empregos indiretos e por 1/4 da geração de valor de produtos no município”, finaliza.

Fonte: Raquel Fernandes/ Grupo A Gazeta