Gazeta de Amambaí


Segunda-Feira, 11 de Setembro de 2017 às 22:13

FHC defende prévias do PSDB para definir candidato à Presidência

Ex-presidente disse em evento em São Paulo que é bom partido ter vários nomes como possíveis candidatos.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) defendeu nesta segunda-feira (11) que o partido faça prévias internas até março de 2018 para decidir quem será o candidato do PSDB à Presidência da República.

Em evento para empresários realizado em um hotel na Zona Sul de São Paulo, Fernando Henrique disse que “é uma coisa boa ter vários nomes” dentro do partido como possíveis candidatos, referindo-se à disputa entre o governador do estado, Geraldo Alckmin, e prefeito da capital, João Doria, como possíveis cotados da sigla à corrida presidencial. O evento foi organizado pelo Lide - Grupo de Líderes Empresariais, que pertence ao Grupo Doria.

Tanto Doria quanto Alckmin estavam presentes na palestra realizada por Fernando Henrique, que foi patrocinada pelo Grupo Lide (Grupo de Líderes Empresariais). O ex-presidente disse que tanto as pesquisas de opinião pública quanto a opinião interna, dos militantes do partido, serão levadas em consideração para a decisão de quem será o candidato. Segundo FHC, vai vencer quem tiver uma “melhor narrativa” com chances de vitória.

“É uma coisa boa ter vários nomes. Quantos partidos têm pelo menos dois? PSDB sempre foi atormentado por perguntas a respeito. Vocês têm A, B, C, D ou E. Bom, tomara que tenha F, H, que sou eu. Quanto mais nomes, melhor. E os partidos têm que se acostumar com várias lideranças. O partido não é dominado por uma pessoa só, tem várias lideranças, e como se resolve isso no limite com voto no partido”, afirmou.

“Líder político você não faz por decreto, ele tem que ser capaz de convencer os outros, tem que ter linguagem racional e sentimental, corporal e tudo mais que os outros percebam: 'Oh, eu posso confiar neste cara'. Às vezes se engana, a vida é assim. O PSDB tem vários, estamos tentando, vamos ver quem vai ser capaz de comover realmente a sociedade”, afirmou, defendendo como positiva a competição interna no partido.

“Eu acho bom (a competição interna no partido). Quanto mais se vise à competição, melhor. Eu vejo que esta disputa é muito mais na boca dos outros do que na deles. De qualquer maneira, eu acho que é natural que as pessoas aspirem posições e não há nenhum erro nisso. Feliz o partido que tem muitos que tem vontade de ser presidente”, salientou.

Fernando Henrique disse que as prévias internas do partido para decidir quem será o seu candidato serão feitas considerando as pesquisas de opinião e que quem desejar representar o partido tem que construir “uma narrativa”.

“As pessoas têm que ter a capacidade, se quiserem ser líderes e te voto, tem que ter questões que sejam relevantes para aqueles que vão votar. Todo partido quer, como é natural, ganhar a eleição: tem que esperar e ver quem realmente tem uma narrativa que corresponda ao sentimento daquela parcela da população na qual você acredita que seja melhor para o país “, salientou.

Quando questionado sobre quando será a prévia interna do PSDB, ele defendeu que isso seja feito até março de 2018. “Eu acho que precisa se levar em consideração que os partidos precisam de tempo para fazer a campanha. Não adianta fazer uma prévia muito próxima do momento em que fazer a campanha. Qual é este momento? Eu diria que o limite máximo é março. Se vai ser em dezembro ou março, eu não sei, eu não sou membro ativo do PSDB, sou presidente de honra. Eu não sei qual vai ser o processo, mas acho que deve ser a tempo para se fazer a campanha”, salientou.

“Pode ter pesquisa de opinião e vai haver, porque as empresas de pesquisa vão fazer e isso vai ter peso, sempre tem peso. E se este peso será suficiente para impor a decisão à decisão aos militantes do partido, isso é outra questão, ai pode haver prévia também”, salientou.

Durante palestra a empresários, o ex-presidente defendeu que, em um momento de crise política, a sociedade precisa de um novo nome que una todas as dissidências. Perguntado sobre se o “novo” a que se referia poderia ser interpretado pelo nome de Doria, ele afirmou categoricamente que não.

“Não, não pode. Eu disse que claramente que novo são as ideias. Quem for capaz de ter uma narrativa convincente é quem tem mais chance de ganhar. Mas a narrativa tem que ser construída, e está sendo construída, não é uma coisa que se faz de repente. Não se trata de saber se é este ou aquele. Mas aquele vai dizer o que? Qual é a proposta? Vai tocar o coração de quem?”, afirmou.

Delação de Joesley

Ao responder a perguntas de jornalistas sobre se a delação premiada de um dos donos da J&F, Joesley Batista, que levou da Procuradoria-Geral da República a denunciar o presidente Michel Temer por corrupção passiva, ter caído em descrédito, após a prisão do próprio Joesley por esconder áudios da Procuradoria, Fernando Henrique defendeu a confirmação dos dados informados nas delações para verificar a vercidade dos fatos.

“Se há delação, acredita-se que houve indício. E se, além do indício, encontrar elementos comprovatórios de um crime, (a delação) vai valer. O fato de a pessoa for ou é também um fanfarrão - e é bastante um fanfarrão - não é suficiente para anular se os indícios levarem também a uma coisa mais concreta que a palavra dele", afirmou. "Tem que se avaliar e complementar a delação com outros depoimentos, outras delações e controvérsias, elementos probatórios e materiais, se houver. Mas não sou advogado", disse o ex-presidente.

Fonte: G 1

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