Gazeta de Amambaí


Sábado, 09 de Fevereiro de 2019 às 17:02

O misterioso lodo encontrado em ilha recém-nascida do Pacífico que intriga a Nasa

Vista aérea da ilha nascida em 2015 no Pacífico, no arquipélago de Tonga

Direito de imagem

WOODS HOLE
Image captionA nova ilha, no centro da imagem, surgiu de uma erupção vulcânica em 2015

"Parecíamos crianças no meio daquilo."

Dan Slayback, pesquisador da Nasa, descreve a experiência que teve ao visitar uma nova ilha que nasceu no Pacífico e que vem, desde então, intrigando os cientistas da agência espacial americana.

A ilha vulcânica surgiu no oceano em 2015 após uma erupção e faz parte do arquipélago de Tonga.

Mas por que ela vem chamando a atenção?

A ilha é especialmente interessante porque apenas três, nos últimos 150 anos, nasceram de erupções - ela faz parte do grupo e tem sobrevivido há meses à poderosa erosão do oceano. Mas não é só isso.

Pistas que "levam a Marte"

Entender como as ilhas se formam e mudam na Terra pode dar pistas sobre a interação entre terrenos vulcânicos e antigas fontes de água em Marte.

Pesquisadores da Nasa vinham monitorando a ilha através de satélites. Mas a realidade, em campo, pode ser muito diferente das imagens captadas de forma remota.

Slayback e um grupo de estudantes com quem esteve no local que o digam. Ao desembarcarem por lá, eles encontraram um cenário muito diferente do esperado.

Lodo e cascalho

Slayback visitou a ilha com um pesquisador de Tonga, cientistas e estudantes da Sea Education Association (Associação de Estudos Marinhos, em tradução literal), um programa de exploração oceânica para estudantes universitários com sede em Woods Hole, Massachusetts, nos Estados Unidos. O grupo chegou a bordo de um navio da Associação.

Plantas com flores no lodo, na nova ilha do PacíficoDireito de imagemDAN SLAYBACK
Image captionVegetação nascida de sementes espalhadas por aves está colonizando a lama, na nova ilha do Pacífico

A ilha é tão nova que não tem nome e é descrita simplesmente como HTHH, a combinação do nome de duas ilhas próximas, Hunga Tonga e Hunga Ha'apai.

"A maior parte da ilha é como um cascalho negro. Eu não chamaria de areia porque as pedras são do tamanho de uma ervilha", disse Slayback, que é cientista do Centro de Voos Espaciais Goddard, o centro de pesquisas da NASA em Maryland.

"(Para andar no local) quase todos usávamos sandálias. Era muito doloroso sentir as pedras debaixo dos pés", disse o pesquisador em um blog da Nasa.

Ele também observou que, no local, "há como uma argila que se estende a partir do centro". "Nas imagens de satélite você vê claramente esse material colorido, é lodo argiloso."

"É muito pegajoso. Quando o vimos não sabíamos o que era e sua origem ainda me intriga. Porque não é cinza vulcânica."

Vegetação e pássaros

O lodo não foi a única surpresa para os pesquisadores.

Slayback e os estudantes fotografaram a vegetação que está colonizando o terreno e que provavelmente cresceu a partir de sementes que chegaram à ilha em fezes de pássaros.

Aves marinhas trinta-reis-das-rocas na nova ilha que surgiu no PacíficoDireito de imagemDAN SLAYBACK
Image captionOs cientistas também encontraram aves marinhas trinta-reis-das-rocas (Onychoprion fuscatus) na nova ilha

Uma coruja, inclusive, provavelmente residente na vegetação das ilhas próximas, apareceu no local enquanto estavam lá.

Os cientistas também encontraram aves marinhas trinta-reis-das-rocas (Onychoprion fuscatus), nas depressões da terra ao redor da cratera.

Buracos nas falésias ao redor da cratera são outro mistério.

"Me surpreendeu o quão valioso foi estar pessoalmente na ilha. Quando você está lá, vê claramente o que acontece com o terreno", disse Slayback.

"A erosão causada pela chuva na ilha é muito mais rápida do que eu imaginava."

Pesquisas

Os pesquisadores e estudantes coletaram amostras de rochas da ilha e fizeram medições do terreno com drones e unidades de GPS.

De volta ao laboratório no centro Goddard, Slayback agora trabalha em um modelo 3D da ilha para determinar seu volume.

O cientista espera voltar ao local no próximo ano em busca de pistas que permitam decifrar alguns dos seus muitos mistérios.

 

Fonte: BBC Brasil

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